29 de janeiro de 2010

INCÓGNITA

Dormindo, sonhei,

Tua voz ouvi

E de alegria, gritei.

Te vi sorrir, ao me abraçar

Teu corpo busquei

Com cuidado, te toquei

Na tua pele tateei

Te sentindo, estremeci

O perfume, aspirei

Com teu cheiro, me inebriei

E só agora me lembrei

Que em teu rosto não olhei

Nem seu nome perguntei

Com quem será que sonhei?



INSÔNIA

Noite de insônia angustiante...

Vários pensamentos passam por aqui...

Confusos, misturados...

Deve ter sido o café.

Escrevo sobre o amor incondicional

No meio de tudo, um estalo:

Isso é tão repetitivo...

Talvez seja esse calor infernal

O culpado, afinal...

Peço para o sono vir

Penso no dia

Um compacto dos principais momentos

Principais, não melhores.

Porque a vida tem momentos principais

Mas nem sempre esses são os melhores momentos...

Termino o texto sobre o amor

Me parece bom...

Pronto, agora posso me dedicar a ficar confusa,

Angustiada, calorenta e... insone!

Com certeza, foi o café!

Daqui pra frente, só chá, é uma promessa...

Preciso me lembrar disso

Ou esses textos vão se tornar

Um tributo à loucura...

Nem eu consegui suportar

Minha companhia

E o sono, finalmente chega,

Me levando em seus braços

Para o mundo fantástico

Onde Morfeu governa

E não existe café...

 

28 de janeiro de 2010

RENDIÇÃO

Amando pelo amor


Sem nada mais prometer

Além de doar a si mesma

Assim ela amava!

Descobriu no momento

Em que essa verdade a desnudava

De suas outras verdades

Agora já meias mentiras

Não quis outro caminho.

Quando se viu assim,

Não chorou

Aceitou, apenas.

Queria, precisava amar

E ela amou!

Não prometeu, entregou-se feliz

Ao sonho intenso e delirante

Que é o amor

Sem pretensões, viveu.

O que mais poderia fazer,

Quando já não se pertencia?




25 de janeiro de 2010

SURPRESA

Outro dia, enquanto espanava a poeira que se acumulara em meus ombros


Deparei-me com lembranças:

Sorrisos guardados no fundo das gavetas

Beijos trancados, espremidos dentro de um livro

Amores protegidos em caixas decoradas, presos com laços coloridos

Lágrimas vieram-me aos olhos

Quando ouvi as novidades

Contadas por essas coisas velhas

Sorri, chorando, quando lancei novos olhares sobre antigas fotos

Tanto de mim está aqui e mostra, escancara

O que busquei esconder

Trancafiando sonhos e ilusões no fundo escuro do esquecimento

Ainda sou eu!

Apesar da negação

Apesar do tempo

Ainda sou eu, apesar de indefinidamente, tentar não o ser.