Muro intransponível, barreira
Tua seriedade, sinceridade
Parede gelada, esconde uma fogueira
Uma fogueira de verdade.
Sua frieza corta, como corta a lâmina polida
Sua têmpera de aço
Faz sangrar novamente a ferida
Da paixão incontrolável, incurável.
Vê, já estou quase morta.
Sua indiferença é inverno gelado
Se eu pudesse transpor essa porta
E chegar ao teu coração, meu amado!
Mas não tem jeito
Teu amor não ultrapassa teu peito
Minha voz não é quente o bastante
Para acender a brasa restante
Da paixão proibida.
Eu só lamento ter sofrido
Sem ao menos uma chance
De ter te possuído um mero instante.
Somente... o instante de um beijo.
Roubado que fosse, mas um beijo doce.
Sem malícia, que delícia!
Essa chance realizaria o sonho de criança
E eu, eternamente feliz seria.