26 de outubro de 2010

Colheita


No teu abraço enternecido

Eu semeei meus sonhos.

No abrigo do teu colo protetor

Desfolhei-me de histórias inventadas,

Para viver o amor.

Quantas lágrimas minhas você chorou

Enquanto regava essa terra fértil,

Enquanto o vento brincava nas folhagens...

Onde estamos agora

Que é chegada a hora

De colhermos a vida que nossos sonhos plantaram?

Procure-me em teus braços

Onde me acolheste

E de onde puder ver

Esse amor florescer.



24 de outubro de 2010

Simbiose


E nos olhamos longamente,

Naquela fração de tempo

Em que nos é impossível medi-lo.

Naquele olhar

Buscamos descobrir

O que nós havia no outro

Buscamos reconhecer

O nosso olhar no olhar do outro

E queríamos sentir o que o outro sentia

Mergulhando, sem saber o quão fundo poderíamos ir

Sem nos perdermos no abismo infinito daquilo que somos

Dentro do outro.


19 de outubro de 2010

Sonho

E aquele nascer do sol

De tão lindo

Chegava a doer

Porque tudo o que eu mais queria

Estava ali

Ao alcance das minhas mãos

Repousando entre os alvos lençóis.

E observando seu repouso

Seu rosto sereno

Fez-me sentir completa

Plena

De tudo o que um dia tinha me faltado

E sua serenidade irretocável não revelava

Se ele já desconfiava

Que o peso dos sonhos e ilusões de uma vida

Agora repousavam no seu regaço.


16 de maio de 2010

PERDIÇÃO

Muro intransponível, barreira

Tua seriedade, sinceridade

Parede gelada, esconde uma fogueira

Uma fogueira de verdade.

Sua frieza corta, como corta a lâmina polida

Sua têmpera de aço

Faz sangrar novamente a ferida

Da paixão incontrolável, incurável.

Vê, já estou quase morta.

Sua indiferença é inverno gelado

Se eu pudesse transpor essa porta

E chegar ao teu coração, meu amado!

Mas não tem jeito

Teu amor não ultrapassa teu peito

Minha voz não é quente o bastante

Para acender a brasa restante

Da paixão proibida.

Eu só lamento ter sofrido

Sem ao menos uma chance

De ter te possuído um mero instante.

Somente... o instante de um beijo.

Roubado que fosse, mas um beijo doce.

Sem malícia, que delícia!

Essa chance realizaria o sonho de criança

E eu, eternamente feliz seria.

30 de abril de 2010

TEATROS REAIS

Pessoas caminham pelas ruas

A vida noturna se agita

A magia da noite pede espaço, grita.

Sorrisos dançam nas bocas

Iluminando as máscaras loucas.

Tudo é indiferente...

Adrenalina solta nas veias

O medo da solidão armando teias

Tramas complicadas de entender.

Porque ninguém é o que pode ser?

Desfile mágico na passarela da vida

Expressões de alegria escondem a imagem sofrida

A beleza, dom efêmero

Neste palco de atores solenes

Onde toda graça é perene

Esse teatro todo me enoja

Tudo aqui é muito falso

Essa farsa movida por impulso

Um ato passageiro, de uma encenação ligeira

O pavor de ficar sozinho é enorme

E por isso estragam suas vidas inteiras

A timidez aqui não tem lugar

Se esconde, ante a luz do luar

Mas isso é uma característica bem humana

Essa espécie tão mundana

As pessoas estão suceptíveis

A ter medo das coisas mais incríveis

A solidão, poucos suportam

São fracos, por isso lamentam

A tristeza que teem que agüentar.

Um remédio bem eficaz

Para o ser humano ter paz

É se esconder atrás de um sorriso ensaiado

Fingindo que a felicidade é um sentimento já alcançado

E assim continua a busca:

Mascaras se sobrepondo às faces

Alegria forçada dando brilho a velhos trastes

Todos, sem chance alguma de serem felizes

Ao menos uma vez, de verdade.


19 de abril de 2010

AMOR IMPOSSÍVEL

Às vezes a imaginação voa, e eu penso:

Como seria, se o desejo fosse mais intenso?

Ou se eu tivesse coragem

De viver esse amor proibido

Tudo o mais seria bobagem

O resto seria esquecido

E com corações e corpos aquecidos

Nós nos entregaríamos um ao outro

E a nossa felicidade seria a única testemunha

Para o resto da eternidade

Em nossa vida só existiria

Lugar para o desejo ser saciado

Quem se manifestaria seria apenas o corpo deliciado

Com carícias de amor supremo

Eu te levaria ao céu

Só em pensar, já tremo...

Mas esse sonho é apenas iniciado

Todo o nosso amor é terreno

Nosso desejo é carnal

E a paixão só se manifesta

Quando os olhares se cruzam

Nossas veias pulsam, todo desejo liberto nelas

Coração aos saltos

A entrega é total, voamos alto

Novamente a realização!

Nossa paixão é voraz e nos impele

Os corpos se enlaçam

Pele na pele

As horas passam...

Mas, que pena!

É tudo imaginação...

Por enquanto eu tento agüentar

Aqui onde estou, na solidão

Quando você vem me procurar?

15 de abril de 2010

QUE SENTIMENTO É ESSE?


Que sentimento é esse

Que me faz tremer as mãos,

Que me arrasta feito um furacão?

Que sentimento é esse

Que me faz sentir vontade de te abraçar

Te beijar e nunca mais te largar?

Que sentimento é esse

Que se transforma em saudade intensa

Dor quase insuportável

E ciúme incontrolável?

Que sentimento estranho é esse?

Esse que é o inferno e o céu

Que é algo entre divino e profano

Que desperta meu interesse?

Que sentimento é esse

Que não percebi quando chegou

Mas sinto que está aqui

E em meu peito se instalou.

Que sentimento bonito é esse

Que me faz compará-lo à um deus,

Que me dá alegria?

Que sentimento é esse

Que às vezes me faz chorar

Que me enche de felicidade

Apenas por te ver passar?

Que sentimento maravilhoso

Esse que une à você

E por mais que seja doloroso

Não me deixa te esquecer.

14 de abril de 2010

AME

Saudade, palavra muito forte

Lembra algo, alguém.

Lembra passado, presente.

Lembra amor.

Apreciamos a saudade porque trás recordações

Pensamentos que às vezes tornam-se ilusões

E nesta vida, as ilusões são muitas...

As desilusões também.

Mas aparece alguém

Alguém que nos ama de verdade

Que nos faz muito, muito feliz.

Todos queremos amar

E temos que tentar, ao menos

Ou em nosso coração sempre existirá

A dor que dilacera as entranhas

A amargura que nos encerra

Dentro de nós mesmos.

Iluda-se, machuque-se

Mas ame! Mesmo sujeito à saudade...

11 de abril de 2010

AMANHECER

Quando o mundo se distrai de mim

Quando a madrugada começa a ser empurrada

Pela solene luz da aurora

Quando nem mais um ruído se ouve

Eu me recolho em meu silêncio

E busco ouvir

O que as palavras querem me contar

São muitas histórias.

Na penumbra que estende seu manto sobre tudo

Ouço o sussurro doce das palavras

Apenas um murmúrio suave

Contando eternos segredos

Entre o clarão das estrelas

E o brilho do sol.


29 de janeiro de 2010

INCÓGNITA

Dormindo, sonhei,

Tua voz ouvi

E de alegria, gritei.

Te vi sorrir, ao me abraçar

Teu corpo busquei

Com cuidado, te toquei

Na tua pele tateei

Te sentindo, estremeci

O perfume, aspirei

Com teu cheiro, me inebriei

E só agora me lembrei

Que em teu rosto não olhei

Nem seu nome perguntei

Com quem será que sonhei?



INSÔNIA

Noite de insônia angustiante...

Vários pensamentos passam por aqui...

Confusos, misturados...

Deve ter sido o café.

Escrevo sobre o amor incondicional

No meio de tudo, um estalo:

Isso é tão repetitivo...

Talvez seja esse calor infernal

O culpado, afinal...

Peço para o sono vir

Penso no dia

Um compacto dos principais momentos

Principais, não melhores.

Porque a vida tem momentos principais

Mas nem sempre esses são os melhores momentos...

Termino o texto sobre o amor

Me parece bom...

Pronto, agora posso me dedicar a ficar confusa,

Angustiada, calorenta e... insone!

Com certeza, foi o café!

Daqui pra frente, só chá, é uma promessa...

Preciso me lembrar disso

Ou esses textos vão se tornar

Um tributo à loucura...

Nem eu consegui suportar

Minha companhia

E o sono, finalmente chega,

Me levando em seus braços

Para o mundo fantástico

Onde Morfeu governa

E não existe café...

 

28 de janeiro de 2010

RENDIÇÃO

Amando pelo amor


Sem nada mais prometer

Além de doar a si mesma

Assim ela amava!

Descobriu no momento

Em que essa verdade a desnudava

De suas outras verdades

Agora já meias mentiras

Não quis outro caminho.

Quando se viu assim,

Não chorou

Aceitou, apenas.

Queria, precisava amar

E ela amou!

Não prometeu, entregou-se feliz

Ao sonho intenso e delirante

Que é o amor

Sem pretensões, viveu.

O que mais poderia fazer,

Quando já não se pertencia?




25 de janeiro de 2010

SURPRESA

Outro dia, enquanto espanava a poeira que se acumulara em meus ombros


Deparei-me com lembranças:

Sorrisos guardados no fundo das gavetas

Beijos trancados, espremidos dentro de um livro

Amores protegidos em caixas decoradas, presos com laços coloridos

Lágrimas vieram-me aos olhos

Quando ouvi as novidades

Contadas por essas coisas velhas

Sorri, chorando, quando lancei novos olhares sobre antigas fotos

Tanto de mim está aqui e mostra, escancara

O que busquei esconder

Trancafiando sonhos e ilusões no fundo escuro do esquecimento

Ainda sou eu!

Apesar da negação

Apesar do tempo

Ainda sou eu, apesar de indefinidamente, tentar não o ser.