30 de abril de 2010

TEATROS REAIS

Pessoas caminham pelas ruas

A vida noturna se agita

A magia da noite pede espaço, grita.

Sorrisos dançam nas bocas

Iluminando as máscaras loucas.

Tudo é indiferente...

Adrenalina solta nas veias

O medo da solidão armando teias

Tramas complicadas de entender.

Porque ninguém é o que pode ser?

Desfile mágico na passarela da vida

Expressões de alegria escondem a imagem sofrida

A beleza, dom efêmero

Neste palco de atores solenes

Onde toda graça é perene

Esse teatro todo me enoja

Tudo aqui é muito falso

Essa farsa movida por impulso

Um ato passageiro, de uma encenação ligeira

O pavor de ficar sozinho é enorme

E por isso estragam suas vidas inteiras

A timidez aqui não tem lugar

Se esconde, ante a luz do luar

Mas isso é uma característica bem humana

Essa espécie tão mundana

As pessoas estão suceptíveis

A ter medo das coisas mais incríveis

A solidão, poucos suportam

São fracos, por isso lamentam

A tristeza que teem que agüentar.

Um remédio bem eficaz

Para o ser humano ter paz

É se esconder atrás de um sorriso ensaiado

Fingindo que a felicidade é um sentimento já alcançado

E assim continua a busca:

Mascaras se sobrepondo às faces

Alegria forçada dando brilho a velhos trastes

Todos, sem chance alguma de serem felizes

Ao menos uma vez, de verdade.


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