30 de abril de 2010

TEATROS REAIS

Pessoas caminham pelas ruas

A vida noturna se agita

A magia da noite pede espaço, grita.

Sorrisos dançam nas bocas

Iluminando as máscaras loucas.

Tudo é indiferente...

Adrenalina solta nas veias

O medo da solidão armando teias

Tramas complicadas de entender.

Porque ninguém é o que pode ser?

Desfile mágico na passarela da vida

Expressões de alegria escondem a imagem sofrida

A beleza, dom efêmero

Neste palco de atores solenes

Onde toda graça é perene

Esse teatro todo me enoja

Tudo aqui é muito falso

Essa farsa movida por impulso

Um ato passageiro, de uma encenação ligeira

O pavor de ficar sozinho é enorme

E por isso estragam suas vidas inteiras

A timidez aqui não tem lugar

Se esconde, ante a luz do luar

Mas isso é uma característica bem humana

Essa espécie tão mundana

As pessoas estão suceptíveis

A ter medo das coisas mais incríveis

A solidão, poucos suportam

São fracos, por isso lamentam

A tristeza que teem que agüentar.

Um remédio bem eficaz

Para o ser humano ter paz

É se esconder atrás de um sorriso ensaiado

Fingindo que a felicidade é um sentimento já alcançado

E assim continua a busca:

Mascaras se sobrepondo às faces

Alegria forçada dando brilho a velhos trastes

Todos, sem chance alguma de serem felizes

Ao menos uma vez, de verdade.


19 de abril de 2010

AMOR IMPOSSÍVEL

Às vezes a imaginação voa, e eu penso:

Como seria, se o desejo fosse mais intenso?

Ou se eu tivesse coragem

De viver esse amor proibido

Tudo o mais seria bobagem

O resto seria esquecido

E com corações e corpos aquecidos

Nós nos entregaríamos um ao outro

E a nossa felicidade seria a única testemunha

Para o resto da eternidade

Em nossa vida só existiria

Lugar para o desejo ser saciado

Quem se manifestaria seria apenas o corpo deliciado

Com carícias de amor supremo

Eu te levaria ao céu

Só em pensar, já tremo...

Mas esse sonho é apenas iniciado

Todo o nosso amor é terreno

Nosso desejo é carnal

E a paixão só se manifesta

Quando os olhares se cruzam

Nossas veias pulsam, todo desejo liberto nelas

Coração aos saltos

A entrega é total, voamos alto

Novamente a realização!

Nossa paixão é voraz e nos impele

Os corpos se enlaçam

Pele na pele

As horas passam...

Mas, que pena!

É tudo imaginação...

Por enquanto eu tento agüentar

Aqui onde estou, na solidão

Quando você vem me procurar?

15 de abril de 2010

QUE SENTIMENTO É ESSE?


Que sentimento é esse

Que me faz tremer as mãos,

Que me arrasta feito um furacão?

Que sentimento é esse

Que me faz sentir vontade de te abraçar

Te beijar e nunca mais te largar?

Que sentimento é esse

Que se transforma em saudade intensa

Dor quase insuportável

E ciúme incontrolável?

Que sentimento estranho é esse?

Esse que é o inferno e o céu

Que é algo entre divino e profano

Que desperta meu interesse?

Que sentimento é esse

Que não percebi quando chegou

Mas sinto que está aqui

E em meu peito se instalou.

Que sentimento bonito é esse

Que me faz compará-lo à um deus,

Que me dá alegria?

Que sentimento é esse

Que às vezes me faz chorar

Que me enche de felicidade

Apenas por te ver passar?

Que sentimento maravilhoso

Esse que une à você

E por mais que seja doloroso

Não me deixa te esquecer.

14 de abril de 2010

AME

Saudade, palavra muito forte

Lembra algo, alguém.

Lembra passado, presente.

Lembra amor.

Apreciamos a saudade porque trás recordações

Pensamentos que às vezes tornam-se ilusões

E nesta vida, as ilusões são muitas...

As desilusões também.

Mas aparece alguém

Alguém que nos ama de verdade

Que nos faz muito, muito feliz.

Todos queremos amar

E temos que tentar, ao menos

Ou em nosso coração sempre existirá

A dor que dilacera as entranhas

A amargura que nos encerra

Dentro de nós mesmos.

Iluda-se, machuque-se

Mas ame! Mesmo sujeito à saudade...

11 de abril de 2010

AMANHECER

Quando o mundo se distrai de mim

Quando a madrugada começa a ser empurrada

Pela solene luz da aurora

Quando nem mais um ruído se ouve

Eu me recolho em meu silêncio

E busco ouvir

O que as palavras querem me contar

São muitas histórias.

Na penumbra que estende seu manto sobre tudo

Ouço o sussurro doce das palavras

Apenas um murmúrio suave

Contando eternos segredos

Entre o clarão das estrelas

E o brilho do sol.