16 de maio de 2010

PERDIÇÃO

Muro intransponível, barreira

Tua seriedade, sinceridade

Parede gelada, esconde uma fogueira

Uma fogueira de verdade.

Sua frieza corta, como corta a lâmina polida

Sua têmpera de aço

Faz sangrar novamente a ferida

Da paixão incontrolável, incurável.

Vê, já estou quase morta.

Sua indiferença é inverno gelado

Se eu pudesse transpor essa porta

E chegar ao teu coração, meu amado!

Mas não tem jeito

Teu amor não ultrapassa teu peito

Minha voz não é quente o bastante

Para acender a brasa restante

Da paixão proibida.

Eu só lamento ter sofrido

Sem ao menos uma chance

De ter te possuído um mero instante.

Somente... o instante de um beijo.

Roubado que fosse, mas um beijo doce.

Sem malícia, que delícia!

Essa chance realizaria o sonho de criança

E eu, eternamente feliz seria.

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